Como saber se sou vítima de violência doméstica?

Tem dúvidas do que é a violência doméstica e de como se carateriza?

O que é a violência doméstica?

Quando falamos de violência doméstica falamos de múltiplas formas de agressão que podem não ser só veiculadas pela força física. Falamos de formas de agressão psicológica, emocional, sexual, ou outras que visem afetar o outro e, de alguma forma, subjugá-lo a uma situação de poder ou dominância.

Estas formas de violência, que podem ser tanto explícitas como subtis, ocorrem muitas vezes em privado, mas são crimes de natureza pública. Ou seja, qualquer pessoa que tenha conhecimento deste crime pode e deve denunciá-lo junto das autoridades competentes.

A violência doméstica pode acontecer entre casais (de sexo diferente ou do mesmo sexo), de pais para filhos, de filhos para pais, portanto, em todas as situações em que ocorre violência de qualquer tipo, explícita ou subtil, entre quem mantem um parentesco biológico e/ou civil.

Quando falamos de violência doméstica é indissociável falar-se de género. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, os inquéritos realizados em diversos países da Europa apontam para que 10% a 69% da população feminina reportou ter tido no mínimo um episódio de violência doméstica perpetrada pelo parceiro. Se considerarmos que em Portugal a média anual de participações de violência doméstica na última década ronda as 13.066 registadas pela PSP, isto significa que do que é do conhecimento público, em média cerca de 36 mulheres por dia reportam que são vítimas de violência doméstica.

Apesar deste padrão assinalar uma tendência predominantemente sexista na violência doméstica, muitos casais constituídos por elementos do mesmo sexo vivem também a mesma realidade. Esta realidade, se por um lado é comportamentalmente idêntica à de casais de sexo diferente, por outro tem uma agravante: seja cônjuge, filho, mãe ou pai, uma pessoa LGBT vítima de violência doméstica pode ter muitas dificuldades em denunciar por receio da exposição da sua orientação sexual ou identidade ou expressão de género.

Por estas questões a Casa Qui empenha-se no acompanhamento de pessoas LGBT vítimas de violência doméstica de qualquer tipo, bem como na sensibilização e formação das entidades competentes de acompanhar os casos para que forneçam respostas adequadas às situações e minimizem as consequências secundárias associadas às questões da orientação sexual e identidade ou expressão de género.

Será que sou vítima de violência doméstica?

A presença de um ou mais dos comportamentos abaixo enumerados pode significar formas de violência doméstica, sobretudo se acontecerem com o intuito de controlar a outra pessoa e sobre ela exercer dominância e sensação de anulação.

Ter medo do temperamento da pessoa e da forma como ela possa reagir, sobretudo em situação de discórdia;
Sentir que a outra pessoa ridiculariza e subestima aquilo que lhe diz, fazendo-o sentir inferior;
A outra pessoa humilha-o à frente dos seus amigos ou de outras pessoas;
Sentir que está sob ameaça, ainda que implícita, o que inibe de se comportar como seria a sua forma comum de o fazer;
Ser vítima de agressão ou ameaça de agressão de qualquer tipo (por exemplo, pontapé, palavrões ou chantagem);
Inibir-se de estar com amigos, família ou outras pessoas, por medo da forma como a outra pessoa irá reagir;
Ser forçado a manter estilos de comportamentos que vão contra a sua maneira de ser, de forma a evitar conflitos com a outra pessoa;
Sentir-se pressionado a justificar tudo o que faz porque a outra pessoa deseja ter controle constante sobre si;
Sujeitar-se aos desejos da outra pessoa por medo que esta revele a sua orientação sexual ou identidade ou expressão de género;
Pedir autorização para questões que sente que deveria ter independência de o poder fazer, por medo generalizado da outra pessoa.

 

O que fazer se for vítima de violência doméstica?

Se se identificou com algum/uns deste/s ponto/s, independentemente do tipo de parentesco que tenha com a pessoa em causa, é importante procurar ajuda. O silêncio facilita que a violência se perpetue.

Existem muitas maneiras de o fazer, que salvaguardam a sua integridade e que não devem colocar em causa o respeito pela sua orientação sexual ou identidade ou expressão de género. São elas:

Ligar para números de emergência especializados como o Serviço de Informação às Vítimas de Violência Doméstica (800 202 148) ou a Linha de Emergência Social (144);

Dirigir-se a uma unidade de apoio à saúde, sobretudo em situação de violência física, mesmo que julgue não ter marcas da violência exercida;

Denunciar o crime em qualquer esquadra da PSP ou posto de GNR, ainda que fora da sua área de residência, podendo para isso solicitar o apoio a entidades como a Casa Qui;

Procurar proteção legal, caso se verifique essa necessidade, podendo solicitar ao Estado Português a nomeação de um advogado ou a outras entidades que disponibilizem esse serviço.

A Casa Qui fornece apoio psicológico e jurídico, desenvolvendo as suas atividades com o fim de prestar um serviço inclusivo e respeitador da integridade de todas as pessoas que nos procuram.

 

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